domingo, 26 de abril de 2009

Encantos da Cidade Baixa

Foto: Canindé Soares

Cruzou a longa tira de asfalto como uma descarga elétrica. Fulminante. Cortou sinais e infringiu leis, como se estivesse fugindo de mil demônios. Realmente estava, mas para exorcizá-los precisaria muito mais que uma bíblia, água benta e versículos em latim. Por isso escolheu um templo a céu aberto, sem altar, lustres e vitrais. A rua estreita e mal iluminada, a multidão e o seu burburinho, risos fartos, olhares libertinos, coxas, quadris, decotes e pescoços esperando por uma mão carinhosa e atrevida. A cidade baixa era o seu segundo lar. Bebeu para abrir os caminhos, abraçou velhos amigos, gargalhou sem cerimônia e sambou nos paralelepípedos cobertos de história. E quando já parecia estar saciado eis que surge a moça de pele clara. Aqueles olhos verdes denunciavam claramente a sua intenção. Entrou em pânico. E numa atitude desesperada o boêmio, visivelmente nervoso, sussurrou para o amigo do lado:

- O que eu faço agora?

O beijo da moça chegou antes da resposta. Assim como a chuva que começava a cair sobre o antigo casario.

9 comentários:

Luzi disse...

Olá, Panela! Seus textos são sempre ótimos =) Bjo

Sara Vasconcelos disse...

Que esta "chuva" chegue sem avisar mais e mais vezes, e surpreenda e o deixe feliz como a benção final de todo esse ritual... beijo, Panelovisk.

Cleo Lima disse...

Coisas que só um casario antigo proporciona. Preciso descer mais à Ribeira.

Júlia disse...

Acho que está na hora de você pensar em escrever um livro...eu gostaria muito de ler um livro seu. ;)

JORGE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JORGE disse...

Acho que está na hora de você pensar em escrever um livro...eu gostaria muito de ler um livro seu. ;)[2]

texto perfeito adoro a ribeira é o centro dos boemios e dos encontros inesperados


favoritei o blog

Lucélia disse...

Que texto gostoso. :)

Beijos, Panela.

marco navarro disse...

falaê marceleza.
^que beleza, meu velho... não sei se já te falei, mas tô fazendo uma compilação dos teus escritos. quem sabe a fdp produções não publica...? valeu, meu véio.
M.

Niam disse...

Meu Negro Gato, raro como uma Pérola Negra!
Te dolo, Xêro.