
Foto Deviantart
Gosto da figura do anti-herói porque dele se espera tudo, menos a vitória. E quando finalmente ele triunfa (seja salvando o mundo de um ataque alienígena ou ganhando um elogio da mocinha da história) passa a andar com um sorriso perpétuo pela cidade. Eu me senti mais ou menos assim quando ela ligou pra o meu celular: e a nossa Bohemia? Pode ser hoje à noite? Talvez para os “fodões” (prometo escrever sobre eles outra hora) seja corriqueiro dividir a mesa com mulheres belíssimas, mas eu acordo sem estratégias e planos de conquistas. Simplesmente acordo.
E foi assim, sem pretensões, que eu bebi a minha primeira cerveja de trigo com a mulher mais linda do casamento. Nada de textos ensaiados ou frases feitas. Estávamos desarmados e a favor da correnteza. O temor das pausas constrangedoras deu lugar a uma espontaneidade quase absurda. Enquanto ela falava de suas peripécias lembrei da primeira vez que escrevi a palavra “saudade” na janela branca. Não sabia se era hora para dizer aquilo, mas em 12 segundos chegou a resposta: eu também! E o nosso encontro, que há um ano parecia algo completamente improvável, terminou com sorrisos de até sempre.