Foto: yowyo Julio
Vícios e impulsos. Duas coisas que ela nunca abriu mão. Aliás, a sua vida é um excesso (para o bem e para o mal). Quem a vê pelos bares, soprando a fumaça para o alto, bebendo, dançando e rindo com seus comparsas, não é capaz de imaginar que aquela mulher um dia perdeu o prumo e a governabilidade dos seus teoremas. Ela, que sempre carregou o estandarte do pragmatismo, da independência, da liberdade e do não apego, beijou a lona.
Depois de uma sequência brilhante de orgasmos sem compromisso, prazeres não agendados e acasos “deliciantes”, a morena, displicentemente (há quem diga que foi intencional), baixou a guarda por três segundos. Intervalo mais do que suficiente para um beijo de direita entrar esmagando boca, coração e discernimento. Caiu de quatro e assim ficou por muito tempo. Quando finalmente recobrou os sentidos percebeu que estava sozinha na sua confortável cama box. Implorou por uma revanche (que nunca veio).
Hoje sobrevive de lutas arranjadas, conquistas baratas e glórias inexpressivas. Seus olhos castanhos denunciam a frustração de subir constantemente ao ringue e não encontrar absolutamente nenhum oponente capaz de atingi-la de forma brutal e avassaladora. Porque, cá entre nós, o que ela precisa mesmo é de um novo nocaute. Para ficar de pé, para se sentir viva.