sábado, 10 de setembro de 2011

Acima de tudo


Foto Deviantart

Cresceu acreditando que não possuía talento algum. A única coisa da qual se orgulhava era a capacidade de subir na goiabeira de olhos fechados. Parecia um calango cego deslizando entre as folhagens. E foi lá, no último galho, que o grito chegou ao chão.

- Mãe, por que eu tenho que levantar da cama todas as manhãs?

- Para fazer as pessoas sorrirem, respondeu sem largar o sabão e a toalha encardida.

- Mas eu não sou palhaço, mãe! Eu odeio palhaço! Odeio!

- Tá certo. Você é o trapezista da goiabeira.

Ele ria. Sentia-se maior. Era alguém na vida. Finalmente.

domingo, 7 de agosto de 2011

Confissões

Um dia nossa história não vai passar de uma empoeirada lembrança. Mas quando essa hora chegar eu quero estar lúcido para lembrar de como tudo começou. E dizer: filho, aquela mulher na bilheteria do cinema foi minha primeira grande paixão. Ele vai comentar sobre a sua beleza e me questionar sobre o que deu errado. Falaremos de escolhas e de como a vida tem um jeito próprio de carregar as pessoas de um lado para o outro. Concordaremos em vários pontos, sobretudo no meu pedido de manter aquela conversa em segredo. Um sorriso sacramentará o acordo. E o doce da coca mais sabor ao nosso fim de tarde.

sábado, 6 de agosto de 2011

Iluminados

Ela avisou ao namorado: amor, hoje eu quero sair só. Deixou para trás o abraço preferido e foi ao encontro de outro homem. Não fazia isso com frequência, mas a saudade cria certas urgências que não podem ser negligenciadas. Poderia ter escolhido uma mesa recuada, sob a proteção das sombras, dos olhares curiosos, das línguas ferinas. Mas por que esconder um carinho que era explícito? A luz amarela da antiga luminária apenas reforçou (claramente) a felicidade dos dois. Naquela noite nada ficou em segundo plano. Tudo chegou ao mesmo tempo. O sorriso dela, a alegria dele, as bohemias, a chuva passageira e a promessa de que tudo aquilo iria se repetir.

domingo, 24 de julho de 2011

O acaso e seus caprichos

O nosso primeiro encontro poderia ter começado de forma mais romântica. Um esbarrão casual no corredor da livraria seria perfeito. Livros ao chão, pedidos de desculpas e elogios sobre a escolha literária de cada um. Outra opção, não menos inspiradora, seria a última sessão de cinema. Os dois chegando simultaneamente na bilheteria, atrasadíssimos e esbaforidos de tanto correr. Em cartaz, Woody Allen, claro. Depois de atravessar a roleta eu diria: “essa foi por pouco!”. O sorriso dela seria a deixa para alinhavar a frase seguinte. Mas o acaso tinha outros planos para nós dois. Nos conhecemos em uma birosca na cidade baixa. Altar dos boêmios, ninho dos bêbados, palco da malandragem. O nosso maior luxo foi uma cerveja quente servida no copo de plástico. Mas naquela noite eu não queria merecer outro lugar. Por isso, antes de dormir, cruzei os dedos e pedi que ela me reconhecesse amanhã ou daqui a um mês. Ela fez mais do que isso. Largou os amigos na calçada, desviou de cadeiras, mesas, garçons e bandejas, enfrentou a euforia de uma pequena multidão, pediu licença, desculpe, obrigada, empurrou, foi empurrada, deu rabissaca e até um bicudo discreto na canela de uma loira, por fim, me encontrou no lado mais escuro do bar. Não deu boa noite, decidiu primeiro recuperar o fôlego nos meus braços.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Na ponta dos dedos

Acho engraçado o seu joelho nervoso, subindo e descendo freneticamente, enlouquecido, procurando acompanhar a velocidade das sinapses e o furor dos dedos sobre o teclado. Nunca entendi o motivo de tanta brutalidade. Acho que o “enter” de tanto apanhar virou masoquista. E o que é pior, as teclas “B”, “A”, “T”, “E” e "!" estão indo no mesmo caminho. Apesar de não concordar com esse açoite eu gosto do resultado final. Há dor e poesia nos seus textos, menina. É como se a página em branco reconhecesse e recompensasse o teu esforço barulhento e solitário. Porque só ela é capaz de suportar a agonia de tantos desejos estrangulados.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Do lado de lá do portão



Os gritos por trás do muro anulavam os meus pedidos de quero entrar. Mas o homem do microfone baixou o som e finalmente alguém girou o trinco no sentido horário. O pesado portão de madeira se abriu. No centro do terreiro a bela morena, descalça e de olhos vendados, tateava a melhor direção para o golpe fatal. Balas e cacos de argila cortaram o ar anunciando que ali havia uma nova vencedora. Horas mais tarde, já recuperada do ritual, ela me revelou o seu verdadeiro nome. Disse também que era de peixes. Não sei se existe alguma ligação astral ou esotérica, mas é a segunda vez que eu sonho com seus pés bailando cegamente sobre a terra molhada.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Saliva e jasmim

Não é de hoje que o tesão nos espreita. Sempre se esgueirando por entre coxas, pescoços, mãos, ombros, costas, quadris. Um dia ele vai cansar dessa brincadeira, desse jogo de esconde-esconde, de correr sobre a pele, de se enroscar nos pelos. Um dia, completamente exausto e com sede, o tesão vai pedir um copo com água, mas eu darei saliva. Essa conversa eu tive com os meus botões. Os mesmos botões que horas mais tarde avançaram famintos sobre o decote avassalador, que apertaram os seios macios e perfumados contra o meu peito. Os mesmos botões que voltaram pra casa cheirando a damasco, âmbar, vetiver e jasmim. O cheiro dela.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Amor de balcão

Já cheguei ao pub mal intencionado. Estava numa secura de fazer dó. A primeira loira que apareceu na minha frente com cara de devassa eu peguei. A negociação foi rápida. Paguei a vista. Enquadrei ali mesmo, no pé do balcão. Um, dois, três goles sem parar. A danada era muito gostosa. O casal de adolescentes que estava ao lado fez uma cara de desaprovação (talvez por conta da minha avidez). Eu respondi na hora: tá vendo essa loira que eu tô agarrando? Eu paguei por ela! Atrás de mim o salão pegava fogo. Era o rock and roll abençoando nossa relação.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Velha guarda

Gosto quando a sedução trabalha sem pressa, respeitando o seu próprio tempo e ritmo. Sem a obrigação de mostrar resultados “pra ontem”. Como se o sentimento fosse um fast-food, embalado e prontinho para ser devorado em menos de 15 minutos. Eu sei, sou antigo, ultrapassado, lento, quase um fóssil. Mas ainda não entrei na lista de extinção. Tenho convicção disso quando eu vejo alguns amigos ensaiando um novo romance, começando uma nova história. Eles estão lá, assim como eu, dançando Sinatra, enquanto o bar inteiro pede punk rock.

domingo, 24 de abril de 2011

Formato Mínimo



Nunca soube demonstrar interesse. Não era por maldade, frigidez ou charminho. Era o jeito dela. E ponto. Os amigos cobravam mais efusividade, os amantes exigiam frases de entrega e devoção e a família pedia doses extras de afagos públicos e explícitos. Mas apesar de tantos apelos ela continuava a amar discretamente, querer sem histeria, cobiçar sem ganância, paquerar sem alarde, se entregar sem exageros. Na realidade, ninguém sabia o quanto aquela mulher queimava por dentro (a não ser o seu gastroenterologista que descobriu semana passada a causa do maldito refluxo incendiário). Sexta-feira, num impulso sentimental, eu expulsei o que estava guardado no peito há meses: eu gosto muito de você! A resposta chegou como um tiro: ok! E antes que eu reclamasse da economia das palavras ela completou sorrindo: Não se assuste, moço. O amor nem sempre é enxurrada.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Procurando um título...


Foto Deviantart


Quando você (finalmente) descobrir o significado do verbo surpreender, por favor, me procure. O cachorro está preso e o portão sem cadeado.


Clicou no botão enviar e fez a única coisa que estava ao seu alcance: cruzou os dedos (numa tentativa fajuta de atrair a sorte). A resposta não veio, o ferrolho não fez barulho e nenhum latido anunciou a chegada de uma nova visita. Depois de muita espera fez o que todo mundo faz com as ausências. Resignou-se. O que ele não sabe é que o querer, além de não dormir, tem um apetite voraz e um passatempo curioso (quase sádico). Costura em silêncio corações baqueados, só para vê-los perder a estribeira novamente.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A maldição da beleza

Dia desses estava pensando no fardo que as mulheres lindas, inteligentes, solteiras e bem sucedidas são obrigadas a carregar. Na quantidade de homens interessantes (o interessante em questão vai muito, muito além da estética) que elas deixam de conhecer justamente por possuírem tais atributos. Eu não sei se existe pesquisa científica, mas é comum você ler e ouvir que parte da classe masculina se sente intimidada e até assustada na hora de se aproximar, de começar uma conversa, de arriscar um diálogo. Ou seja, se elas não tomarem a iniciativa tudo acaba em zero a zero. Eu faço minha parte. Tento assustá-las primeiro. Sim, meus amigos, até a feiúra tem um propósito de ser.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Lado a lado

Foto Deviantart

Domingo não é o meu dia preferido. Ele não carrega a excitação das sextas, tampouco os desatinos dos sábados. Vive bocejando pelos cantos, com uma puta ressaca e preguiça de viver. É um dia sem tesão. Era. Até aquela mensagem chegar e tirar o prumo das minhas certezas.


Talvez eu não seja uma boa companhia, mas, ainda assim, eu preciso sair hoje...


Fiquei na dúvida se aquele texto era um desabafo, um convite, um desafio ou um passo para uma armadilha. Paguei pra ver. Decidimos por um bar longe dos holofotes. Sentamos perto do palco, pés na grama, coração leve, blues e bossa a nosso favor. Em quase três anos de convívio nunca estivemos tão perto um do outro (seja verbal ou fisicamente). Tentei dizer isso, mas Menescal e Bôscoli chegaram matando. Esperei ela terminar a última estrofe de “Ah, Se eu pudesse” e refiz a pergunta: o que você vai fazer no próximo domingo? Ela riu, pediu um gole da minha cerveja e respondeu: um passo de cada vez, meu querido, um passo de cada vez....

terça-feira, 5 de abril de 2011

Urgências

Ele a puxava para um lado, por tesão, e eu para o outro, por saudade. Ela, de braços abertos, olhava pra mim esperando que eu entendesse a urgência da sua partida. Sob a tenda, uma disputa silenciosa. Em jogo, mais atenção e carinho. O abraço rápido, sem calor e burocrático selou a minha derrota, que já era anunciada antes mesmo do cabo de guerra começar. Na realidade, o primeiro indício de que eu a perderia na multidão foi revelado entre o primeiro e o terceiro bater de pálpebras. Foi nessa fração de segundos que eu li o recado em seus olhos negros: “Desculpa, Celo. Agora não. Vou ali ser feliz e não volto”. Ironicamente o DuSouto começou a cantar “aonde está meu outro par da sandália havaiana”. Comprei mais uma cerveja quente e empurrei goela abaixo o maldito nó atravessado na garganta.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um passo a frente

Foto Deviantart

Cansado de andar em círculos

De ver meio mundo passar por mim

Dos olhares piedosos

Das esmolas de carinho

Não quero nada disso

Eu só preciso de uma pá e um pacote de cal

A cova eu mesmo abro

Quero enterrar o passado, tudo que me atrasa, me engana, me segura e me retém

o mais fundo possível, de preferência, já bem próximo a porta do inferno.

terça-feira, 1 de março de 2011

Hora de voltar


Foto: Mariza Rodrigues

Ela sabia de olhos fechados como abrir aquela fechadura. Uma habilidade irretocável mesmo sob efeito do álcool, da urgência de um tesão qualquer ou do breu apavorante. Mas dessa vez não foi fácil girar a chave da porta pela última vez. Essa era uma escolha que a rebobinaria para uma estranha intimidade, com paisagens familiares, caminhos conhecidos, antigos costumes e manias ancestrais. Trancou a poeira e os cômodos vazios com um nó na garganta. A lágrima caiu antes da primeira volta. Mais uma volta, mais lágrimas. Estava deixando para trás metros quadrados de teimosia, esperança, recompensas, tentativas, investimentos, erros e glórias. Quero acabar de viver o que me cabe, disse isso antes de largar o trinco, antes de sumir no estreito corredor, antes de descer as escadas, antes de bater o portão sem fazer alarde.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O segredo dos seus olhos


Foto: Rafaele Diniz

Construímos nossa relação com pausas e monossílabos. Enquanto ela mastigava o copo plástico, sentada no chão, minhas sinapses tentavam articular um tema ou discussão minimamente envolvente, capaz de produzir no receptor (ela) o desejo de resposta. Nunca consegui dois períodos completos. E assim dois anos se passaram. Especializei-me em ouvir com atenção o que ela não tinha a me dizer. Mas se a boca não explodia em palavras, seus olhos (um castanho estranho que se transformava em cor de mel ao sol) mais pareciam um mural com letras graúdas, boas de soletrar. Da última vez que nos encontramos aconteceu o improvável. Por cinco gloriosos minutos ela falou sem parar, com vontade, empolgação e naturalidade. Olhos e boca numa sinergia de arrepiar. Eu, visivelmente bobo e feliz, tentava esticar mais e mais e mais a conversa. Mas não demorou muito para que seus fieis escudeiros a resgatassem para trás da muralha. Tarde demais. Dessa vez foi o ogro de óculos e pernas compridas que desceu a ladeira sorrindo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nocaute


Foto: yowyo Julio
Vícios e impulsos. Duas coisas que ela nunca abriu mão. Aliás, a sua vida é um excesso (para o bem e para o mal). Quem a vê pelos bares, soprando a fumaça para o alto, bebendo, dançando e rindo com seus comparsas, não é capaz de imaginar que aquela mulher um dia perdeu o prumo e a governabilidade dos seus teoremas. Ela, que sempre carregou o estandarte do pragmatismo, da independência, da liberdade e do não apego, beijou a lona.
Depois de uma sequência brilhante de orgasmos sem compromisso, prazeres não agendados e acasos “deliciantes”, a morena, displicentemente (há quem diga que foi intencional), baixou a guarda por três segundos. Intervalo mais do que suficiente para um beijo de direita entrar esmagando boca, coração e discernimento. Caiu de quatro e assim ficou por muito tempo. Quando finalmente recobrou os sentidos percebeu que estava sozinha na sua confortável cama box. Implorou por uma revanche (que nunca veio).
Hoje sobrevive de lutas arranjadas, conquistas baratas e glórias inexpressivas. Seus olhos castanhos denunciam a frustração de subir constantemente ao ringue e não encontrar absolutamente nenhum oponente capaz de atingi-la de forma brutal e avassaladora. Porque, cá entre nós, o que ela precisa mesmo é de um novo nocaute. Para ficar de pé, para se sentir viva.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diário de Bordo


Foto: Uliana Fechine

Foi preciso alguém gritar “solta as amarras!” para ela finalmente entender que era hora de levantar âncora e explorar novos portos. Começou pelos inseguros. Afinal, de previsibilidade já bastava aquela rotina massacrante, o percurso para o trabalho, a sequência de exercícios na academia e o alface na salada. Por que se contentar com a ilhota ao lado se a embarcação tinha autonomia para chegar ao continente? Aqui do farol eu vejo suas manobras. Algumas cheias de ousadia, graça e sensibilidade, outras na base da força e perseverança. Não vou questionar o poeta, eu sei que navegar é preciso. Mas tão importante quanto isso é manter o leme firme e possuir um coração disposto a cometer (sempre que necessário) desatinos em nome de uma boa aventura.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A negociação

Diariamente o nosso olhar esbarra em retinas alheias. O perigo (ou seria sorte?) é quando ele cristaliza, quando entrega de bandeja nossas intenções a um estranho. Lembro bem quando ela chegou (acompanhada de mais três amigas) e pediu uma cerveja ao dono da birosca. A última garrafa estava na minha mão. Uma Nova Schin, quente e cobiçada. A negociação foi tensa, olho no olho, gota a gota. Eu, irredutível, ela, determinada. Talvez a Ribeira nunca tenha testemunhado um duelo por tão baixo valor (e teor). Mas nós dois sabíamos que dinheiro não era problema naquela madrugada. Só queríamos beber para expulsar os demônios. A espuma no copo selou o impasse. Deixou para trás um nome, um sobrenome e um muito obrigado. Confiei nela, na minha memória e nas ferramentas de busca. O rastro digital me levou a uma janela branca, com moldura azul. É de lá que eu recebo notícias e espero pacientemente por um novo encontro livre de barganhas.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A voluptuosa de Lagoa Seca


Grande ela não era. Nem precisava. Aquele corpo compacto já causava um transtorno considerável à vizinhança. Quem mais sofria era dona Isabel. A viúva tinha investido uma grana preta na reforma do imóvel. O problema é que a obra andava a passos de tartaruga. O motivo de tanta lerdeza só veio à tona quando ela casualmente cruzou com a morena da motoca. Foi aí que descobriu a causa da colossal improdutividade. Se para a ingênua senhora a ficha caiu naquele início de tarde, para os funcionários da construção o "ócio contemplativo" era uma atividade corriqueira e prazerosa.

O ronco do escapamento era o sinal para que serventes e pedreiros largassem as ferramentas e corressem para os seus postos de observação. Sobre a laje inacabada eles acompanhavam com olhos de lince cada movimento da moça. Da retirada do capacete até a entrada no escritório. E, cá entre nós, desviar o olhar daquelas coxas torneadas e do decote banhado de suor seria um ato de indelicadeza. Ela ria. Um sorriso gostoso de quem é cúmplice de um assassinato sem vítimas ou culpados.

Mas era engraçado como eles paravam no tempo, como perdiam o prumo descaradamente. Aliás, de tanto prumo perdido uma das paredes do primeiro andar saiu completamente fora de escala. Essa é uma questão menor. Pior é dizer para Dona Isabel que a morena decidiu ontem entrar na academia do bairro.


domingo, 5 de dezembro de 2010

Acesa


Foto: Deviantart

Cada ser humano é uma fonte de eletricidade. E nessas minhas andanças pela madrugada sempre reservo um tempo para observar essa energia invisível em ação. Assim como há bem-humorados e ranzinzas, há também quem ilumine corações ou produza energia suficiente apenas para manter um bico de luz em funcionamento. Naquela noite ela estava diferente. Tinha fome de vida e uma capacidade surpreendente de criar campos magnéticos.